2.6.12

 

Explicação Necessária



Entendo que devo algumas palavras de explicação aos meus prezados leitores e demais frequentadores e visitantes do «Alma Lusíada», pela minha falta de produção bloguística neste último mês.


Sendo esta uma das mais antigas tribunas da blogosfera, prestes a celebrar o seu oitavo aniversário, com produção relativamente constante, ainda que não diária, coisa a que de resto nunca me poderia comprometer, quer por falta de tempo, quer pela exigência que habitualmente me imponho, quanto ao rigor e ao apuro literário dos textos.


Com efeito, sem ter pretensões literárias, a verdade é que sempre pugnei pela escrita correcta, se possível, elegante, sem transigência no rigor do conteúdo, primeiro valor que atribuo naquilo que escrevo, mas também dando importância ao aspecto da forma, que realça e acrescenta mérito ao acto de escrever.


Acresce que nos últimos meses tenho alimentado uma presença no Facebook que algo tem prejudicado a minha actividade bloguística.


A novidade do Facebook aliada à facilidade da participação, especialmente na emissão de opiniões ou de comentários políticos associados à publicação das notícias dos Jornais, com as fotografias alusivas aos factos aí relatados, acaba por solicitar a nossa presença mais assídua naquele espaço, roubando disponibilidade para outras participações, por regra, mais cuidadas, exigindo maior preparação e maior atenção às matérias a tratar.


Assuntos não me faltam, tanto do foro estritamente político, como de um campo mais vasto, como é o constituído pelas matérias culturais, nomeadamente, as relacionadas com a Língua e a Cultura Portuguesas, as minhas preferidas neste espaço.


Tenciono em breve abordar aqui o caso da invasão de Goa e o fim do chamado Estado Português da índia, que recentemente tem suscitado a minha atenção. Apesar de facto antigo, ocorrido a 18 de Dezembro de 1961, julgo haver todo o interesse em repescá-lo para uma discussão séria, sem dormir na comodidade de atribuir culpas inteiras a Salazar e ao seu Regime, ao mesmo tempo que se concede o benefício da compreensão à atitude espalhafatosamente nacionalista do controverso pacifista Nehru e à sua putativa democrática União Indiana.


Analogamente me estimula a escrever alguma coisa a leitura recente de um pequeno livro de Jorge Buescu, sobre a História da Matemática em Portugal. Neste breve ensaio, Jorge Buescu introduz algumas ideias críticas sobre o papel do Marquês de Pombal na sua tradicionalmente exaltada intervenção na modernização do Ensino em Portugal, designadamente no estudo das disciplinas científicas, na reforma da Universidade de Coimbra, etc.


Há muito que julgo necessário desfazer certos equívocos relacionados com a figura de Pombal, que todo o jacobinismo costuma tratar laudatoriamente, ignorando, menosprezando ou mesmo escamoteando a nocividade dos seus métodos, a brutalidade da sanha persecutória com que combateu e suprimiu todos os seus opositores ou simples discordantes do seu despótico arbítrio.


A política quotidiana presente motiva-me menos e sobretudo me falta a paciência para seguir os folhetins do jornal Público sobre as histórias rocambolescas dos nossos Serviços Secretos e das disputas do Ministro Relvas com uma Jornalista daquele jornal, que será tudo menos inocente na demanda, como o azougado Ministro, com traços evidentes da nefasta personalidade do ex-Primeiro Ministro e actual estudante parisiense de Filosofia ou de Política na outrora criteriosa Sorbonne, a dar azo a todo o tipo de suspeições políticas na sua actuação.


Se as Entidades Reguladoras exercessem a sua regular função e nos merecessem a curial confiança restar-nos-ia aguardar que da sua acção investigadora e correctora resultasse o esclarecimento completo destes imbróglios rascas que nada contribuem para a credibilidade das Instituições políticas e administrativas do Estado.


Custa a crer que num País em que predominam tantos preconceitos anti-patrióticos, em que se chega a questionar a necessidade de Forças Armadas, haja tanta apetência pela actividade de espionagem e segurança do Estado, justamente quando este mais se esvanece nas suas prerrogativas de soberania, que já nem para a simples elaboração de um Orçamento Geral se mostra suficiente, carecendo dos beneplácitos de várias entidades estrangeiras.


Estivesse outra gente à cabeça do Estado e já todos esses pretensos Serviços de Espionagem e de Segurança do Estado teriam sido extintos, demitidos os seus titulares, averiguadas as suas responsabilidades criminais, para darem origem a um único Serviço sob a orientação de um Militar competente e determinado em cumprir a missão que lhe fosse atribuída, que para isso os Militares têm especial inclinação, pela natureza da sua vocação, da sua formação profissional e do treino contínuo a que são sujeitos, nas missões que têm de desempenhar ao longo da sua carreira.


E com estas satisfações dadas aos meus mui estimados leitores, por ora termino.


Até Breve.


AV_Lisboa, 01 de Junho de 2012



Comments:
Caro António Viriato
Começo por aplaudir esta sua intenção de dar prioridade ao blogue em detrimento do Facebook. Confesso que não aderi a este produto. Acho-o demasiado promíscuo e perigoso, dada a quantidade de informações pessoais que normalmente lá deixamos. Algo que, nas mãos erradas, nos pode trazer amargos de boca. Por outro lado, é demasiado absorvente e rouba-nos tempo precioso para outras actividades.
Aproveito o ensejo para lhe falar um pouco das Forças Armadas, instituição que tem sido ao longo da História o pilar do patriotismo, dito assim para simplificar. O que vou referir tem a ver com um pequeno comentário que inseri no seu trabalho anterior, ou seja, com o problema demográfico.
Há dias, aceitei um convite para assistir às cerimónias comemorativas do aniversário da Zona Militar da Madeira. Na mesa principal em que foi servido o almoço e de acordo com as precedências protocolares, sentou-se ao meu lado o coronel da Força Aérea Faria Paulino, figura destacada no PREC da Madeira. Pessoa com quem tenho uma relação cordial. A páginas tantas, veio a lume a minha preocupação com o baixo índice de natalidade europeu ao que, o Faria Paulino, objectou que a “invasão” islâmica da Europa é irreversível e que o que nos resta é aceitar a situação como um facto consumado e limitar, tanto quanto possível, os estragos. Não foram obviamente estas as suas palavras, mas julgo que transmiti a ideia.
Ideia esta que tem o sabor amargo da capitulação e, naturalmente, me causa calafrios dada a minha formação militar. Mas não discordei do meu interlocutor, porque é um quadro possível e tudo indica que se esteja a caminhar para tal solução (se é que o termo é adequado… ). E, como se tal não bastasse, de França chegam sinais inquietantes, com a eleição de François Hollande. O grosso da massa apoiante era de origem magrebina! Do que poderá resultar que, dentro de poucos anos, poderemos ver em França aviões de combate, blindados, e vasos de guerra guarnecidos por barbudos que não comem carne de porco.
A Europa, tal como a concebemos, a nossa tão querida civilização, está moribunda por falta de quem se bata por ela. Os próprios governantes furtam-se a definir objectivos nacionais concretos e falam pouco de pátrias. Nesses termos, será boa ideia manter Forças Armadas, quando nem sequer se sabe ao certo o que há para defender? Será de alguma forma vantajoso comprar uma dentadura nova para um condenado à morte em vésperas de execução?
 
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